Equilibrar-nos-emos como loucos, como justos, nesta calçada de perdões e lamentos. Cheios de esperança, é assim que temos lidado com a vida. Aguçamos os sentidos e estendemos os dedos. Dedos livres, tão livres que parecem pequenos farrapos de uma alma que se esfuma. Dedos livres que ondulam com um amor metódico, melódico, complexo, irremediavelmente e erradamente irreversível e irreparável. Estes dedos são o teu equilíbrio, são as tuas raízes. 
no ano passado ansiava por realizar sonhos. este ano, por esta altura, sei que ainda não os realizei. no próximo ano espero não estar a dormir.
 é sofrego o olhar
violento o espasmo do real.
deixem-me nascer,
que preciso de me reinventar!
que não posso com o nosso desgosto,
e a pena de todos os outros.

não deixes tudo ficar como está, eu sei que precisas de um mundo novo. sei que sentes que viverás perpetuamente entre as mesmas paredes. no entanto, digo-te, sinceramente, que vale a pena lutar pelos nossos desejos. encarar de frente as coisas boas e desejáveis e fixar o olhar sobre as coisas desagradáveis e que nos afligem constantemente. isto porque saberás pelo menos que não vives uma farsa, mas que vives feliz perante as incompreensões, falhas e dificuldades. o objectivo é ousares. atreveres-te a estar bem, nem que isso dependa do facto de ultrapassares limites que são reprováveis para ti. estas não podem suprimir a tua felicidade. tu pertences a este mundo, sabes quem és, este tem que ser o teu verdadeiro ímpeto. deslumbra-te com o caminho bifurcado, e segue em frente, segue. não deixes que a rotina que todos nós conhecemos te consuma. o eco do teu mundo não te pode deixar exasperada. não há nada mais deprimente, que a irrevogável certeza de que podias ter alterado o teu mundo, que podias ter cumprido os teus desejos. não fiques expectante. sobressalta-te, tu consegues, e conseguirás o que pretendes de ti. existe sempre magia no teu trilho.
Atreve-te... a pensares por ti próprio e rejeita tudo o que seja alheio!
Desprende-te... das receitas, das fórmulas, preceitos, ditames, dogmas, dos clichés, das retóricas vazias de sentido!
Destrói... a cobardia e o medo que te impedem de dar um passo em frente...ou dois
Afasta... a sonolência epidémica que te corrompe ...
Liberta-te... dos grilhões da cegueira que te impedem de veres com os olhos do pensamento!
Coíbe-te... de dares assentimento à opinião irreflectida da maioria só porque é a maioria?
Arrisca... e sai da comodidade em que sempre viveste e pior, sem te dares conta!
Assume... a coragem de te servires do teu próprio entendimento!
Encara... a tarefa inalienável de compreenderes em vez de contemplares!
Resiste... ao fácil, ao óbvio, ao dado, ao cómodo, ao vil...
Luta! Persiste!
Sente a grandeza de uma alma que se mantém firme na procura incessante da sabedoria!
Ana Rita Raposo
entre os meus dias alguns são de facto para sempre. sobre eles anoto, nitidamente, a memória das falhas, onde sabes que erras e lamentas... não lamentas o erro em si mesmo, porque sabes que o homem é falível, e crescerás, mas lamentas a decepção perante os que te rodeiam, como se tivesses algo a provar-lhes para sentires que respiras. mas não precisas, não te gastes em constantes provações aos outros daquilo que podes ser ou que és. prova a ti mesmo, se errares, não peças desculpa, não te dês por perdido ao mundo, porque da próxima, não cometerás o mesmo, não cairás no mesmo buraco, e da próxima sobreviverás. entre os meus dias alguns são de facto para sempre. sobre eles anoto cuidadosamente os desejos, a intensidade da vida. é uma questão de intensidade. só assim nos poderá voltar a florir o coração e a sensação de ascenso repete-se.
Morre lentamente
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Martha Medeiros


Os dias de sol, os dias de chuva. A nostalgia do vivido e antes sonhado. A dor do erro, o arrepio, o remorso e o vómito. A frustração, os desejos, a água na boca. O cheiro do verão e o calor do Inverno. As músicas que vêm com o vento, a sensação de desespero, o esquecimento, a apatia e crescer. A janela aberta, a efémera vida, a decrepitude do chão. O nevoeiro basso, as dúvidas. A vergonha, as coisas que querias explicar mas que não têm explicação. Tudo o que tenho para dizer e não disse.
arranja tempo, porque se algo que algum dia pedirás será isso. arranja-o, e encara-o com desejos despidos de hesitações e disfarces. coloca-os nús e desprovidos de medo na tua vida. não penses, somente, escreve-los, grita-os, desenha-os... se fores tu, a tua "tábua rasa", faz das tuas mãos a obra, o desejo, e corre, atrás daquilo que mais ambicionas na vida, aquilo que anseias, desde que te lembras, desde que te lembras de sonhar e de tornares num ser singular. e se fizeres muita questão que tal aconteça, acredita, isso acontece. as tuas mãos irão  assimilá-lo e não tratarão dessas tuas ideias como algo supérfluo, como um capricho, mas sim como uma real necessidade do teu ser, que respira nas entranhas, que pulsa na pele. trata a vida por tu e ela retribuir-te à o mesmo amor.
Corremos, corremos, e quem nos apanha?
Corro tão rápido, tão confusamente, em delírio. Viro em todas as direcções, se a anterior não for a certa, voltar a trás nunca o farei. Talvez seja pelo orgulho louco que me percorre as veias ou simplesmente porque me é impedido por uma voz gritante, mas silenciosa, que mata lentamente. Maldita. E tu vida, olhar-te-ei de frente, saberei apertar-te as mãos com a maior das forças, vou sentir a alma revolvida, mas mesmo assim vou mergulhar no teu mar.  
Amigos, quando temos um trilho enorme pela frente encolhemos os ombros, fintamos o seu ponto máximo, mas colocamos mãos à obra. Talvez um dia lá chegaremos, e nesse preciso momento já teremos outro para atingir, e depois outro, mais outro, outro e outro. Pode passar-nos um comboio por cima, mas continuamos vivos. É isso que interessa, não é?