É fulcral que compreendamos que a paz, o caminho para a felicidade, só se consegue com a dinâmica e o equilíbrio entre a razão e a emoção. A emoção, enquanto condição essencial ao despertar do coração, para que possamos amar sem limites. Sim, porque o amor quando é possível, é excessivo e para lá da norma. E a razão, enquanto inteligência para buscar a verdade sem desânimo, edificada sobre fundamentos que nos permitem discernir o que é justo, nobre e digno. Sempre com a consciência que o que buscamos é fruto da fé, e portanto, sustentáculo do amor e da vida. A paz, não é um estado que se vive na ausência de afrontas, angústias, conflitos e erros, é sim, o resultado de uma conciliação harmoniosa entre o desafio e a coragem de o enfrentar. A paz, é um acto de não-aceitação. Não é um estado inerte, nem de repouso. É um estado de movimentação, mobilização de forças e, acima de tudo, tradução da pureza do nosso coração. A paz é algo que nenhum homem pode dar a outro. Um dos fins mais importantes da paz é a de reconciliação connosco mesmos. Logo, a paz supõe uma luta interior, dolorosa e duradoura. Mas a firmeza não se constrói na facilidade. E neste caminho da Vida, onde se corre, sofre, as fragilidades humanas converter-se-ão em forças, com o devido ingrediente: o amor. A paz vence a dúvida, o erro, a fraqueza e o conflito, porque humanamente pacificados, divinamente encorajados. Por sabermos que procuramos a verdade plena.
A "excelente ideia"
Hoje perguntei ao meu pai: Pai o que é a união europeia?! (não procurei dirigir qualquer resposta). E ele, rapidamente, respondeu: É a união de alguns países da Europa. De seguida, interpelei-o: E agora, o que achas que irá acontecer? E recebi esta afirmação: Vão desintegrar-se todos, porque cada um chega as brasas à sua sardinha.
Ora, para mim, a União Europeia é uma excelente ideia. Que não vigora. É, então, um império económico e político, onde se reduzem as grandes ideologias da humanidade a meras etiquetas sem valor. Tomemos por exemplo a democracia. Como a vivemos é uma ridícula falácia desprovida de sentido. Sim, sim os governos são resultantes de eleições democráticas. Mas, logo após, os resultados eleitorais, os governos transformam-se em mandatários de um só poder, não o do povo, quando esse deveria ser o único, mas sim o do aparente único e real poder efectivo, o das conjunturas económicas e financeiras.
E qualquer, sinal de convergência dos lideres europeus na resolução da crise económica, não é ideológica, mas sim uma táctica natural da defesa dos interesses do país que governam. Esta falsa união política concentra, portanto, cada vez mais poder nas mãos das grandes potências europeias. Ora, refiro-me portanto ao eixo franco-alemão. E, com efeito, os países mais fracos são, pelo seu reduzido poder político e económico, os primeiros sacrificados. Agora, parecem impor-se duas alternativas, que o Daniel Oliveira tão bem clarificou: "Hoje, como europeus, temos uma escolha a fazer: ou salvamos o barco ou saímos do barco. Ou federalizamos a Europa, criando todos os instrumentos políticos, económicos e financeiros (os três em simultâneo) para garantir a soberania do povo sobre o seu futuro; ou pomos fim a esta loucura e cada um trata de si, protegendo as suas economias, tendo moedas próprias, políticas aduaneiras próprias, incentivos à produção nacional, etc."
Bem, sinceramente não acredito que Portugal reúna condições para seguir o segundo caminho. E o primeiro, é uma utopia de bolsa. Desesperante, de facto.
Merda: a "gaia ciência"
Sim, infelizmente, todos fazemos parvoíces, cometemos erros, possuímos defeitos e somos falíveis. Não admira, por isso, que sejamos nós também a sofrer os efeitos das consequências dos nossos males. É claro, que os erros são uma espécie de flagelo. Agora, o problema prende-se com o alvo que se deve deteriorar. Primeiro, passa por compreendermos que as auto-avaliações carecem muita vez de realidade e, raramente, são análises correctas e devidas dos nossos falhanços, ao longo da nossa história de vida - ou porque são destrutivas de "ser", ou porque, nem sequer existe consciência para analisar seja o que for. Segundo, que é nos falhanços que se encontra a matéria-prima para construirmos um ser melhor. Terceiro, e por fim, se os erros são uma espécie de flagelo que o sejam sobre o alvo devido: o que correu mal, e não sobre o que de nós pode correr melhor. Porque na verdade, tendemos a encarar as derrotas como uma desculpa plausível de não voltar a arriscar. E isto, acima de tudo, consequência de uma preguiça mental imensa, em que preferimos esquecer do que voltar a tentar. E portanto, ficamos sempre aquém das nossas possibilidades, vitimas do nosso medo. Quanto tempo demorará para compreendermos que os fracassos de quem ousa desafiar-se a si mesmo e ao mundo são sucessos? Porque o simples arriscar, contribui para uma introspecção sobre os fracassos, que nos poderão conduzir a futuros sucessos. Sendo que, espíritos de ânimo corajoso e elevado, prestam atenção exponencial a tudo, estando ou não perante sucessos, na medida em que o que existiu de negativo (ou de menos positivo) seja uma oportunidade para se estudarem, emendarem e aperfeiçoarem. Digo, simplesmente, que a inércia não conduz ao fracasso, mas também não propicia o sucesso. Porque, por vezes, o maior sucesso é tentar. Deixando de uma vez por todas este empobrecimento induzido de espírito que não benefecia de felicidade. Não nos iludemos, na vida se queremos brio e vitória, devemos ter quedas e derrotas. Ninguém nasce perfeito no ventre materno. É preciso cairmos, para termos necessidade de evitar quedas. Tal como, por um lado, dá pena vermo-nos nesta pobreza não só de pensamento como de bolso, mas como por outro, possamos aprender, desta forma, a nunca mais nos colocarmos nesta situação (como dizia o outro). E a graça está, no momento, em que a merda se transforma na "gaia ciência".
O pseudo-sucesso
Onde começa a afirmação do poder do estado, termina a liberdade do indivíduo. Em sociedades injustas, pobres de espírito crítico, iludidas por um governo que ao invés de promover a diversidade de pensamentos, responde ao pluralismo com mais centralismo, em sociedades assim, como esta, o que está em grande causa é a educação. A liberdade de educação é constantemente relativizada, confunde-se o actual facilitismo com uma directriz completamente libertina do estado perante a educação. Mas repare-se que, por parte do governo, o que existe, é uma enorme centralização de poder, em que tudo é decretado ao mais ínfimo pormenor, no pormenor da reprovação do aluno, como por exemplo. A mensagem que passa, é que com tanta burocracia, o Estado está de facto exaustivamente preocupado com o processo educativo. Mas o que, de facto acontece, é que este pressuposto, é somente, uma enorme máscara que substitui o conceito de avaliar bem, por controlar bem o processo. E portanto, controla-se o processo em demasia, mas avalia-se mal. Os estudantes não são avaliados, os educadores não são avaliados e os resultados não são avaliados. Nada do que efectivamente corresponda a exigência, ocorre. Criou-se uma espécie de controlo estatal que tem a Educação como pertença, e não como serviço. Como uma missão reguladora, com determinadas directrizes de referência genéricas, que sobretudo, controlem a Educação para o seu caminho correcto: a avaliação do que se está a passar mal. E o que se está a passar mal, é a priori, a predisposição dos pais, que se vão à escola não vão julgar os filhos por estudarem tão pouco, vão para protestarem com os professores por lhes darem notas tão baixas. A seguir, é que se trabalha para as estatísticas, sobre o pretexto de barbaridades grandiosas que enchem os ouvidos: "o que interessa é cidadãos críticos e activos". Vejamos o exemplo das Novas Oportunidades com o grande slogan "Aprender compensa", como é que pode compensar, se combatemos o insucesso, os maus resultados, com o facilitismo? O insucesso disfarça-se, com exames e projectos simples, para manter as aparências quer a nível interno quer externo. E depois apela-se à teoria de que não interessam os conteúdos, mas sim, cidadãos críticos, capazes de fazer o bem. Esta é simplesmente a desculpa para os preguiçosos démodés, isto é, para os pedagogos mariquinhas com medo dos maus resultados dos estudantes mimados. Como é que podemos ter um cidadão crítico se tem dificuldade em ler o jornal, se não tem em seu poder substâncias simples de história ou português?! Não podemos trabalhar para o ressentimento de uma geração, porque isso não acrescenta rigorosamente nada ao país. O que faz falta é uma exposição da ferida. O insucesso só se combate com exigência.
Verdade política
Vejamos este caso. Existe aparentemente uma oposição. O que é que ela pretende? "Voltar ao poder? Loucura! Minorar o governo? Estupidez." (É boa, é a fazer oposição a si mesma). "Actuar em nome de princípios que jamais tiveram no poder? Hipocrisia."
A verdade política é como tudo na vida: Mutável.
"o coiso" do Santos Pereira
Um resumo do meu silêncio. Por todo o mundo surgem sucessivos escândalos. Temos a polémica em torno do Vaticano, em que parece que foram revelados determinados documentos, que dizem não sei o quê, sobre não sei quem, com um determinado propósito, segundo o qual se desconhece a causa. Mas é uma grande notícia. Temos também, o caso das Secretas, ao que aparenta, inverteu-se a situação, já não temos jornalistas a denunciar jogos de poder políticos, mas sim políticos com jogos de poder a denunciar escândalos jornalísticos. Entretanto, ao virar da esquina surge o tão aclamado PM, que diz que não demite ninguém por receberem mensagens. Inteligente ele. Correcto e transparente. Claro, que como para o povo português o que parece, é. E o que é, não é. Tudo se admitiu com uma enorme verossimilhança. É sempre a mesma coisa a mentira redunda sempre à verdade. Chegou a altura de apelarmos à utopia de bolso, como dizia o Ricardo Araújo Pereira, mas sejamos modernistas, apelemos à utopia das frases Nicola, ou aliás, melhor ainda, à utopia dos bolinhos da sorte chineses. Que esses é que abrem oportunidades, esses é que nos permitem ambicionar ir além do impossível e suportar o insuportável. E como sugere o nosso Governante, cheio de lirismo, o desemprego é a arte da possibilidade. Pois, até poderia ser. Se não estivéssemos sem possibilidades, se não tivéssemos que ser tão pragmáticos para sustentar as nossas famílias. Portanto, uma boa possibilidade que se perdeu foi a de ter estado calado. Tal como o biltre do ministro da economia. Que define o problema do desemprego como "o coiso", que tem que ser ultrapassado. Muito elucidativo, de facto. O meu pai quando não quer dizer "o caralho", também diz "o coiso", é tudo uma questão de mascarar as verdades inconvenientes. E porque nem tudo é mau, deixo aqui o meu aplauso de pé à coragem e coerência do Nuno Crato em responsabilizar os pais pelos comportamentos dos filhos. Porque não nos podemos demitir da educação dos nossos filhos. Amen.
Triste e fatal
Oscilamos entre o tudo e o nada. Confundimos mecanismos com causas, descrições com fenómenos, linguagem com pensamento, enfim somos peritos na aparência e incapazes de transparência. Entenda-se que incubámos uma espécie de manual de sobrevivência, nascemos, criamos uma biografia própria, com determinados factos distintos, algumas anedotas para demarcar uma personalidade bem-humorada, alguns rancores para não parecermos demasiados santinhos, algum despeito por aquilo que somos para manifestar a nossa faculdade prima da modéstia, pronto, que seja, algumas historinhas para alcançar a consumação plena, e morremos. Tudo acaba. Afinal depois de tantas tentativas para que os outros construam as impressões que pretendemos que concluam. Morremos. Ó que triste e fatal destino, inevitável, ilógico, estúpido, injusto. Afinal a maior conclusão é morrer. Não porque é um fim, pressuponho. Mas porque é o início da percepção de tudo o que dá sentido às nossas vidas. Com o seu quê de perversidade, mas perfeita na sua amálgama. Eis a questão: como seria se estivéssemos na iminência de morrer? Eu, sinceramente só queria garantir que a minha morte determinaria que tinha vivido segundo as minhas expectativas, os meus sonhos e a minha loucura. Que a minha mortalidade proclame as minhas obras. Porque o homem é pequeno, fraco e cambaleia rapidamente entre o certo e o errado. E deixemo-nos de tretas, a nossa vida é minúscula. Não há grandes homens, há actos que, às vezes, são grandes, como surtos de grandeza existencial, mas mal acabados os actos, voltamos à nossa dimensão. O propósito não é estagnarmos, é aperfeiçoarmo-nos, tornarmo-nos melhores e sermos mais felizes. Sem artifícios e aparências, sê um "eu melhorado", não um "eu postiço".
Anti-liberdade
Dificilmente compreenderão a dor que tenho ao ler comentários predominantemente anti-liberdade, mesmo que os criadores destes não tenho a absoluta ideia desta convenção. Refiro-me a vitupérios como: "De que serve a liberdade a um desempregado?" Visto à distância parece uma pergunta que revela preocupação, interesse pelas necessidades do outro e sugere uma certa vontade de as satisfazer. Até aqui tudo é admissível. Agora, visto meticulosamente, impõe-se como uma pergunta que não serve de mais nada, senão de prefácio a um compadecimento a esta menoridade política que não vale os proeminentes princípios. O que evidentemente, demonstra uma ridícula ignorância, ou numa perspectiva muito positivista, uma má-fé imensa. O povo esqueceu-se da versão portuguesa censurada, esqueceu-se de como foi viver desempregado e sem liberdade, esqueceu-se de como foi ver famílias a serem despejadas por fazerem uso do seu entendimento, esqueceu-se de como foi viver na mais pura miséria de se ser humano, não o sendo. Isto é, mortos pela censura. Repare-se que nada nos diminui tanto como a impossibilidade de expressarmos o nosso discernimento, e portanto, de nos mutilarem a faculdade que nos permite relacionarmo-nos com o mundo. Não se trata somente, de um processo mecânico e abstracto, mas também, e acima de tudo, um mecanismo de expressão pessoal e construtor de uma identidade. Lembrem-se dos fuzilados, dos degolados, dos estraçalhados, dos mortos, mortos e mortos sem liberdade. Privados do uso da nossa inteligência vivemos tão mortos quanto estas vitímas. Manifestamente quem compara a situação actual à época do salazarismo sofre de dois grandes problemas facilmente diagnosticados por alguém que pense: ignorância e estupidez. Saibam, que provavelmente vivemos na mesma merda, mas saibam também que agora, temos paz, e a possibilidade de gritar que este governo é efectivamente, uma merda.
(Para que conste: inspirei-me num comentário do Henrique Monteiro que constou.)
Eros vs Agape
Acredito, sinceramente, que cada um de nós tem a oportunidade de um amor eterno. O problema reside na confusão evidente do eros com o agape. O eros impõe-se como o desejo, isto é, a atração natural do homem ao outro, visto que nada nos torna mais felizes do que sermos algo para o outro. Necessidade esta, que demonstra o quanto temos medo de ser rejeitados, o que por conseguinte, conduz ao grande défice de compreensão de sentimentos em que vivemos. Vivemos na ânsia absurda do reconhecimento e do significar tudo para alguém, que nos tornamos incapazes de vínculos puros e autênticos. O ânimo humano já não busca amar o outro, mas sim, amar-se a si mesmo por intermédio do outro. O eros é a parábola humana mais original do homem, que nos impele para o desejo do amor, no entanto, infelizmente, reduzimos as relações ao prazer, à aparência e ao superficial. E reparemos que não é uma questão de negar o eros, mas sim, de compreender que as relações não se reduzem a instrumentos de prazer, de exibicionismos e de hipocrisias. Não há amor sem o eros inicial. E o grande trabalho humano diz respeito à conversão da paixão em amor (do eros em agape). Porque todas as paixões no fascinam, cansam-nos e iludem-nos, com este mesmo encadeamento, se não forem configuradas em amor. O amor de entrega, despido de mecanismos. Eis o milagre pelo qual devemos suar: doarmo-nos ao outro. Porque é o amor que confere à existência sentido, numa tentativa constante de nos aperfeiçoarmos enquanto individualidades, e consequentemente, enquanto colectividade capaz de êxtase e comunhão - a possibilidade do prazer de viver, sem medo de amar.
O homem, demasiado homem
A vida constitui-se como uma totalidade onde coexistem paradoxos imensos que impelem o homem para um sofrimento atroz. Até a maior lucidez é apagada. Conhecermo-nos enquanto entidade humana é um espectáculo, onde nós somos o palco dos nossos pensamentos e emoções, que pretendem causar a impressão pretendida no espectador. Não é, portanto, uma questão de ser, mas de transmitir uma imagem. Imagem esta, que é mecanizada por uma necessidade inevitável de todos nós - a de sermos aceites, a de estarmos integrados, adaptados, e por conseguinte, a possibilidade de sermos amados. No entanto, desconheço necessidade que nos reduza tantas vezes à normalidade, à estandardização do que esta carência que nos distancia de nós mesmos, e que nos aproxima de todos os outros, também já distanciados de si. A expectativa de sermos aceites, tornou-nos comuns, limitou a nossa ascensão enquanto individualidades únicas e padronizou-nos. Trata-se de vivermos num mundo cada vez mais escuro, perante o qual a nossa visão vai involuntariamente ficando mais limitada. No entanto esta é uma limitação adaptativa. Esta duplicidade deve ser consciente, e não conheço nada que seja mais encorajador do que a irrevogável capacidade do homem para elevar a vida através do esforço para demonstrar a sua essência natural e pensada e não a incutida e artificializada.
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